Não sou uma mãe que gosta de brincar.⁣

Não sou uma
mãe que gosta
de brincar.⁣

É isso mesmo que você leu. Mas não comece a me julgar. Ou comece. ⁣

Minha filha merece o meu melhor. E na grande parte do tempo, ela tem. ⁣

Meu melhor às vezes é companhia para um filme. Tem dias que é a parceria para o cinema ou teatro. Algumas horas meu melhor é cozinhar aquela comidinha que ela adora e fazermos bolo de chocolate juntas. Tem momentos que dançamos como artistas da Broadway. Ela tem meu melhor em nossas caminhadas na beira da praia, nos castelos de areia e quando ela decide ser minha cabelereira! Dou meu melhor contando histórias, montando Lego, quebra-cabeças e em jogos de tabuleiro. O meu melhor às vezes é presença. Às vezes é ausência, pois em momentos que a minha irritação sobe e a paciência acaba, passo a bola e me retiro, meu melhor é sair de cena. ⁣

Minha filha tem minha melhor versão em vários momentos. Mas não é brincando de boneca. Paciência zero. Nem nas brincadeiras de faz de conta. Não é nas aventuras e estripulias em parquinhos. Não é dessa forma que ofereço meu melhor. Sou péssima companhia para momentos assim. E tudo bem. Ela pode encontrar isso em outras pessoas. E ela encontra.⁣

Precisamos reconhecer como damos nosso melhor. Não somos boas em tudo. E não devemos nos cobrar e nos culpar por isso. É cruel. É utópico. ⁣

Que possamos ter clareza de qual é nossa melhor versão possível, e essa sim ofereçamos sem limitações aos nossos filhos. Afinal, eles merecem nossa inteireza e nossa verdade!⁣
Tornar-se mãe é aprender a conviver com expectativas irreais que criamos, e por vezes (muitas vezes), cruéis com nós mulheres. Expectativas sobre coisas que ninguém nos conta, sobre rotinas que romantizamos e que nos maltratam a cada minuto em que não conseguimos responder à altura do que imaginávamos ser o “certo”.⁣ ⁣

Tornar-se mãe é curar a mulher que habita em nós, é abrir mão da perfeição que passamos uma vida perseguindo, das expectativas alheias que nos esforçamos além da conta para suprir, da profissional bem sucedida que precisa dar conta de tudo o tempo todo agora e para sempre, da boa filha que nunca falha, da ótima esposa sempre presente e contente e disponível.⁣ ⁣

Tornar-se mãe é em algum momento olhar para nossas sombras, encará-las de frente, e saber onde e quando nossos limites chegam, mas não se demorar tempo além do necessário nessa tarefa.⁣ ⁣

Tornar-se mãe é permitir-se ficar vulnerável quando não sabemos o que fazer (acreditem, mães às vezes não sabem mesmo. Sim, esse é o momento da ironia!) e sentir que pode ser libertador o não saber, não ter resposta, nada nadinha…. ⁣

É nesse espaço vazio, vazio de certezas, receitas prontas e respostas certas, que temos a chance de nos construirmos como mãe, porque afinal, quando nasce uma criança não nasce uma mãe, mãe é construção, é escolha diária, para toda a vida!⁣

Que venha a próxima fase!⁣ ⁣ ⁣

Arieli Groff

Mãe da Maitê, Psicóloga, Especialista em Processos de Luto e Intervenções em Crises, Ativadora de Potencialidades, Palestrante e Escritora. 

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